
Viajar sozinho depois dos 40. Maluquice, coisa de loser, ou pura liberdade?
Talvez, esse seja um assunto que pode ser até um tabu para muitas pessoas. E, obviamente, por isso que eu o trouxe aqui.
Você já deve ter pensado em fazer uma viagem sozinho, mas ficou com medo, inseguro, achando que seria julgado pelos amigos e familiares, ou até achou que nem tem mais idade para isso.
E se eu te mostrar que não é nada disso? E mesmo se for tudo isso, e daí? O que conta mais? Sua saúde mental e sua liberdade, ou o que pensam de você?
Bora falar sobre isso?
Mas antes eu preciso fazer um disclaimer necessário: eu não estou defendendo, em hipótese alguma, que viajar acompanhado não é bom, ou que só é bom viajar se for sozinho! O meu ponto é discorrer sobre um assunto que, como eu já disse, pode até ser tabu para muita gente. Mas claro que viajar acompanhado de uma pessoa que você ama, de pessoas que você preza pela companhia, amigos, família, é sensacional também.
Culturalmente, nós crescemos acreditando que tudo o que a gente vai fazer tem que fazer acompanhado: festa, cinema, viagem. Ou pior, passamos a vida com medo de julgamentos. E a coisa piora quando não somos solteiros ou solteiras. Sim, porque achamos que só pelo fato de termos um companheiro, uma companheira, temos que fazer tudo juntos. Mas e se for justamente esse tipo de pensamento que está atrasando a sua vida?
Vamos lá, pense comigo! Veja meus argumentos e depois, se achar relevante, deixe nos comentários a sua opinião. Mesmo que seja discordando! Gosto de aprender com visões diferentes.
A primeira coisa que eu quero dividir aqui é que, quando se viaja sozinho, você se aproxima mais de você mesmo. E isso não tem preço.
Repito: ter alguém junto que você ama, ter uma boa companhia, é sensacional também. O meu ponto é só desconstruir aquela ideia de que a gente só pode viajar acompanhado.
Bom, e aí eu vou começar pelos benefícios mais práticos, mais superficiais, aqueles mais relacionados às rotinas no seu dia a dia durante a viagem.
Quando você viaja só, você acorda a hora que você quiser, toma o seu café na hora que quiser, come o que quiser e onde quiser, anda quanto você quiser… Enfim, você faz a sua programação do seu jeito. É como se você estivesse dando férias para o seu piloto automático, entende? Sim, piloto automático. Aquele seu comportamento de seguir padrões de convivência. E quando você dá férias para esse piloto automático, quando você tira de cena aquela pessoa que você é no seu trabalho, com a sua família, com os seus amigos, é justamente aí que começa a enxergar detalhes desse comportamento que você não percebe no dia a dia.
Viajando sozinho, vai perceber que aquela pessoa com rotina automatizada, que toma café da manhã todo dia no mesmo horário, almoço, jantar no mesmo horário, aquela pessoa superorganizada no seu trabalho ou muitas vezes sistemática (como eu, confesso!), não precisa existir quando estiver vivenciando aquela viagem sozinho. Nesse momento, seu espírito estará em estado de puro relaxamento, sem cobranças externas, sem pressão. Sem ter que agradar ninguém. Sem precisar explicar o motivo de nada. E sabe qual é o maior benefício disso? Autoconhecimento!
Então, agora estamos saindo do campo dos benefícios superficiais e vamos entrar no campo da sua evolução como pessoa. Isso mesmo, você não tem ideia de como uma viagem solo potencializa o seu autoconhecimento! Clareia as ideias que tem de você mesmo. Joga uma luz no que você pensa de si e, se for o caso, te faz até repensar no seu comportamento no dia a dia, na forma como você age ou reage às diversas circunstâncias.
Você se escuta mais, aprende a lidar com o seu tempo e, principalmente, com você mesmo. Aprende a curtir sua própria companhia. E isso vai fazer você viver momentos incríveis nessa viagem solo. E aí eu te garanto: vai voltar de uma viagem dessas, com certeza, diferente do que você foi, no que diz respeito ao seu autoconhecimento.
“Ah, mas Japa Véio, toda viagem faz a gente voltar diferente.”
Sim, eu sei, concordo! Mas nem sempre uma viagem alavanca o seu autoconhecimento e, numa viagem solo, isso é inevitável. Sem contar o delicioso sentimento que você terá ao perceber que teve coragem de sair da famigerada zona de conforto.
“Ok, e aí, me dá umas dicas de viagem aí, Japa Véio?”
Gente, eu não posso dar dicas de PARA ONDE você vai viajar, mas eu posso dizer o seguinte: não precisa ir para a Europa de cara! É uma viagem longa. Principalmente, se for a sua primeira viagem sozinho. Porque se você fizer uma viagem longa dessa e já no primeiro dia descobrir que não gostou de estar ali sozinho, que não gostou da experiência, e dá um tilt na sua cabeça e você decide: “Preciso voltar, vou embora”.
Então, se for a primeira vez, vá para um lugar perto e, de preferência, um lugar onde você nunca se permitiu ir. E vá sem pressão, sem medo. E se eu pudesse falar mais uma coisa para você, eu diria: se estiver com medo, vá com medo mesmo! Pois eu garanto a você que a coragem chega depois da primeira noite bem dormida no hotel com o celular no modo avião. Mas planeje uma viagem para um lugar que tenha boa estrutura, um local seguro. Depois da sua primeira viagem solo em que você descobriu quão incríveis são esses momentos, com certeza vai se planejar para a próxima, e para a próxima, e para a próxima… E os desafios vão aumentando a cada viagem.
E por falar em desafios, tente planejar um Slow Travel. Esse tipo de viagem está ganhando espaço e transformando o estilo de vida das pessoal que estão buscando experiências mais imersivas. Se quiser saber sobre Slow Travel, leia aqui: Slow Travel, a sua próxima experiência
Enfim, faça uma viagem solo sem medo de ser feliz! Experimentem, pelo menos uma vez. E se não gostarem da experiência, tudo bem, pelo menos vai ter uma história para contar.
E tem uma coisa mágica que acontece quando você faz uma viagem dessas: o mundo vem até você. Você fará amizade numa fila de teatro, num restaurante, numa fila de museu, numa trilha… Ok, eu sei, essas amizades também acontecem quando a gente está em casal ou entre amigos, mas eu garanto para vocês que numa viagem solo isso é um momento mágico. Vocês vão ver! Me contem depois!
Ah, uma dica que eu vou dar e você vai me agradecer depois: leve um caderno de anotações para fazer um diário onde você possa registar, com as suas próprias palavras e suas emoções, tipo fazendo um relato do seu dia, das experiências que viveu naquele dia.
Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que depois dos 40 a gente não precisa provar nada para ninguém. Só precisamos viver! E viajar sozinho é um baita presente que você pode dar a si mesmo. Você estará, como já disse, dando férias para a sua mente. Repito: não tenha medo de ser feliz numa viagem, mesmo sozinho!

Sabe qual foi a melhor viagem da minha vida? A que eu fiz sem medo, só com vontade. E foi depois dos 40!
Menos medo, mais movimento. É disso que a gente precisa!
Agora, me conta, você já viajou sozinho? Como foi a sua experiência? E se nunca viajou, tem vontade de ir? Ficou com mais vontade agora? Que lugar você escolheria para fazer a sua primeira viagem a solo?
Lembre-se: Viajar sozinho não é estar só. É estar livre!

E para incentivá-los a dar o primeiro passo nessa aventura, vou indicar um livro que aborda muito bem o tema e ajuda a desconstruir a crença de que passeios, restaurantes, experiências turísticas em geral, só são interessantes quando compartilhados. Esse livro se chama “Sozinha Mundo a Fora”, da autora Mari Campos. E, caso você se interesse em adquirir esse livro com o link do Japa Véio, é clicar aqui e você estará ajudando o blog. Agradeço demais!!
Livro: Sozinha Mundo a Fora / Autora: Mari Campos
Editora: Verus